"Tem muita gente piruá nesse planeta.
Gente que não reage ao calor,que não desabrocha.
Fica ali, duro, triste e inútil pro resto da vida.
Não cumpre sua sina de revelar-se, de transformar-se em algo melhor.
Não vira pipoca, mantém-se piruá.
E um piruá emburrado, que reclama que nada lhe acontece de bom. Pois é. Perdeu a chance de entregar-se ao fogo, tentou se presevar, danou-se.
O importante na vida é reagir às emoções, e não manter-se frio, fechado, feito um grão que não honrou seu destino."
(cahvingert)
Lembro do quanto gostava de desenhar quando criança.. dos concursos que participei e dos que ganhei também. Minha mãe foi minha grande incentivadora e parceira nessas aventuras infantis. Mas o fato é que, depois de um tempo, parei. Parei de desenhar.
O mais irônico nisso tudo é eu ter passado quatro anos numa universidade de design e não ter desenhado nada. De fato isso coloca em cheque a graduação da federal que deveria (ao meu ver) ter algumas disciplinas obrigatórias sim. Nunca tive uma aula de desenho que não fosse geométrico. E como nunca tive tara por triângulos e bissetrizes, parei no papel em branco. O máximo que lembro de conseguir fazer era uma casa com um caminhozinho do lado e uma árvore.
Mas algo aconteceu aqui. E acredito que teria acontecido em qualquer lugar que eu estivesse, porque o aqui, neste caso, é aqui dentro de mim. Decidi tentar voltar a desenhar, mesmo sem saber como... mesmo sem técnica ou noção de perspectiva. Resolvi fazer o que não sabia, fazer o que dá medo por não se saber...
Sabe quando você faz algo que não sabia que sabia fazer?? Sou eu desenhando. Eu termino o desenho, paro... e fico olhando pra ele sem acreditar que fui eu quem fez aquilo. Depois vem uma euforia infantil de quem conseguiu fazer aquilo!! Volto a ter 8 anos de idade querendo mostrar o desenho pra todo mundo e querendo que todo mundo fique feliz por mim!! Tem sido uma descoberta indescritível.
Aqui tá o link para os desenhos todos, na ordem em que foram feitos. É só ir passando pro lado pra vê-los. Espero que gostem!
Queria dedicar um espaço por aqui pra falar sobre o processo de seleção da Universidade de Design de Kobe (KDU). Recebi uma carta dizendo que teria que estar na universidade no dia X, na hora X, portando meus documentos e meu portfolio impresso ou o material em um computador. Infelizmente maiores explicações não nos foram dadas em inglês. Chegando lá, assinamos um seguro de que qualquer material deixado na universidade estaria intacto nos dias seguintes e seria devidamente devolvido ao dono, pegamos nosso número de candidatura e partimos pra uma sala ampla. Nessa sala haviam várias mesas, cada uma com painéis atrás e o número do candidato. Pra quê?? Expormos nosso trabalho. Apenas expor, pra que cada professor pudesse analisar o material e dar nota.
No segundo dia, marcaram nossas entrevistas. Detalhe: avisaram que a entrevista seria em japonês. Fui mesmo assim. Meia hora pra cada candidato. Mesma sala ampla. Diferença?? Dessa vez ela estava lotada de professores (acho que todos os professores da universidade, ou quase). Trabalhos de um lado, professores do outro (sentados em meia lua) e no meio, uma cadeira vazia com uma mesinha em frente. Ou seja, no meio... você, ali.. exposto a tudo e a todos (ou expondo). Primeiro eles pedem que você se apresente (de acordo com a etiqueta japonesa, claro) e depois começam as perguntas, que por sinal surgem de todos os lados. Apesar de entender um pouco de japonês (que não é apenas o básico que se usa nas ruas pra perguntar quanto custa um pão ou onde fica a estação X), eu falo muito pouco. Motivo?? Parei de praticar enquanto fazia a minha pesquisa, porque era tudo em inglês e eu não sabia se ficaria no Japão mesmo (não que eu tenha qualquer certeza hoje, mas é mais provável ao menos). Pedi então pra responder em inglês e, aos poucos, eles foram me perguntando em inglês também. Que por sinal foi um grande alívio: agora sei que eles sabem falar inglês (tô menos ferrada).
As perguntas foram as mais diversas possíveis: "Por que você escolheu a Universidade de Design de Kobe?" "Como foi seu curso de graduação no Brasil?" "Fale sobre seu projeto de pesquisa." "O que você pretende fazer depois que terminar o mestrado?" "Por favor, apresente-nos alguns de seus trabalhos, falando um pouco sobre cada um deles." Enquanto eu apresentei eles fizeram várias perguntas sobre cada projeto. No final, meu professor me perguntou: você tem alguma pergunta pra fazer pra gente? (adorei isso, mas confesso que não estava preparada). Falei: "O que vocês esperam dos seus alunos?? Que eles criem novas formas de pensar e de solucionar problemas, ou que sigam uma linha mais rígida?? (algo assim). Ficaram com a primeira opção.. thank God! =)
Pela primeira vez vi professores leves, descontraídos, sorrindo... não sei se maquiavelicamente por estarem se deliciando com nossa angústia. Mas... não faz muita diferença; gostei de vê-los assim. Saí de lá com um sorriso enorme no rosto e com a sensação de dever cumprido. Fiz TUDO o que pude, dei o melhor de mim... agora era com eles. Passar ou não passar se tornou um mero detalhe diante da certeza de que encontraria meu canto, meu rumo... e que fiz o que antes me seria impossível.
O resultado saiu 5 depois depois: aprovada.
...tô feliz PRA CARAMBA!! Longe dos meus dois amores (Luquinahs e Diogo), amigos, família e do país que vivi quase minha vida toda (dependência cultural é FODA), mas tô muito feliz!! Depois de finalizar e ser aprovada na minha fase de pesquisa na Universidade de Wakayama, resolvi partir pra outras terras. Apliquei pra Universidade de Design de Kobe, fiz o processo de seleção (bem interessante por sinal), passei... e cá estou.
Tive que passar por um outro processo de seleção, pra poder morar onde estou morando (no dormitório internacional da cidade de Kobe). Ou seja, finalmente as coisas estão se ajeitando. Tava bom de desgraça e problemas, né?? Me mudei sexta passada. Minha bagagem chegou no dia seguinte (o serviço dos correios daqui é fantástico! Aliás, serviços em geral.) O quarto de não-faço-idéia metros quadrados, com um banheiro e uma pia de cozinha me custará 280 dolares por mês. Mas é o melhor quarto que já tive até agora e a vista é simplesmente linda!! Tô no quinto andar de uma área que já é bem alta... aí dá pra ver a cidade de cima.. e o mar lááááááááááá longe. A cozinha é coletiva (uma em cada andar), tem elevador no prédio e uma salinha com máquina de lavar e secar (1 dolar cada uso). Vou tirar umas fotos e publicar pra vocês verem!
... que comece essa nova etapa!!
Saravá! =) Leia mais um teco...
Desde o natal que não escrevo praticamente nada (além do último post, que não foi lá bem feliz). Queria dizer que tô bem e cheia de estórias e novidades pra contar!! Mas tô de mudança esse mês! Depois conto. Em abril devo voltar a escrever por aqui! =)
Por enquanto... um texto que escrevi há tempos atrás...
É que em tempos de cegueira, onde o medo de cair nos impede de andar, onde as mentiras ditas ao acordar ganham pernas e saem pelo mundo deixando na boca o gosto do que queremos ser (mas não somos), onde o mundo tem o sabor do pouco que nos restou... tempos que nos afastam de nossos espelhos já sem reflexo, que nos isola nos cantos escuros que deixamos (ainda ontem) pra resolver no depois que se estende para além das horas possíveis, tempos em que nossa cegueira ultrapassa os espaços do outro, que invade os problemas do mundo e se impõe num grito independente de unicidade e imparcialidade inexistente...
Ficamos assim: imersos entre pena e orgulho, entre a dúvida e a afirmação, submersos em apatia e indefinição, em insuficiência e caos, ansiedade e vício... esperando que o mundo aceite nossas beiras, nossos excessos... necessitando encontrar um ombro amigo no próximo acordar, um rosto conhecido pelo cheiro de verdade, pelo sabor de sensatez, pelo aperto forte das mãos, pela voz doce de colo ao cair da tarde. E ficamos assim, esperando ser salvos.. cada um na sua concha, no seu casulo, no seu espaço seguro.
É que... em tempos de cegueira... tudo que precisamos é despertar da nossa lucidez empoeirada, é estender as mãos e sentir a direção do vento, é esquecer o discurso de ontem, deixar o jardim com cheiro de terra molhada, abandonar os lençóis (ainda mornos), esvaziar-se dos risos, arriscar.
Porque em tempos de cegueira... bastaria despir-se de si mesmo... e despertar.
Janayna Velozo
01.12.2006
A forma de enxergar o mundo mudou. Drasticamente. Passei a reconhecer-me nos outros, nas coisas do mundo e a saber-me inexistente de qualquer heroismo. Minhas margens desapareceram da minha vista. Foram-se, ofegantes, retornar à moradia primeira. O "eu" se misturou ao "eles", "elas", "tu", "nós". Se algum dia estive apenas em mim, não o estou mais.
Já devo ter dito, em cartas outras, o quanto o idêntico é vital aos japoneses. Aqui acho que nunca existiu o "eu", apenas o "nós". E não se engane, não se trata de coletividade calorosa, compaixão, empatia, ou qualquer vislumbre de que o mundo pulsa além (e aquém) de sua própria batida. Não. Na terra do sol nascente eles não sabem o que é ser si mesmo. Aqui se nasce, se vive e se morre em silêncio.
Um silêncio que me grita todos os dias: "você não é um deles!".
Acho complicado fugirmos do similar. Entre frases, amores, risos, empregos e rotinas, passamos todos pelo idêntico linguajar dos conceitos. O mundo das palavras é um só: caminho é caminho. Idênticos em escrita, e nela apenas. Afinal de contas demos um uso diferenciado às palavras. Criamos pronuncias, sotaques, diminutivos, trejeitos. E reinventamos, a cada instante, o contexto em que estarão inseridas. Teu "caminho" te lembra arbustos, enquanto o meu se reparte em mil pedaços. O idêntico é pura demagogia.
Não lhe é estranho passarmos uma vida inteira tentando ser únicos, quando sempre o fomos desde o gozo? E mesmo que instistamos a buscar, em terras outras, nossa imparcial importância... a quem queremos impressionar? Em qual pedra tentamos cravar nosso nome? Quem escolhemos pra contar nossa estória? Por quem queremos ser lembrados?
"... acreditar em algo grande que mude nossas vidas...", me disseram essa semana. Talvez Linus Pauling, ganhador de dois prêmios Nobel, possa dialogar com essa sentença ao dizer que "para ter uma boa idéia, primeiro você tem que ter várias idéias." É preciso se criar escolhas, divergir, desatar-se dos laços de genialidade e buscar, consciente, o raro encontro da preparação com a oportunidade, ao qual chamamos de sorte.
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- Lucas... imagina o trabalho que deu pra construir esse templo??
Ao que ele prontamente me responde:
- Imagina a quantidade de árvore, isso sim!!! Leia mais um teco...
O caba que tá amando tem prioridade no banco do trem!! É isso mermo ou alguém entendeu alguma outra coisa??? E a galera que tá sentada tem as pernas mais grossas ó!! Sem contar que essa grávida aí tá mei bêba.. Leia mais um teco...






