Queria dedicar um espaço por aqui pra falar sobre o processo de seleção da Universidade de Design de Kobe (KDU). Recebi uma carta dizendo que teria que estar na universidade no dia X, na hora X, portando meus documentos e meu portfolio impresso ou o material em um computador. Infelizmente maiores explicações não nos foram dadas em inglês. Chegando lá, assinamos um seguro de que qualquer material deixado na universidade estaria intacto nos dias seguintes e seria devidamente devolvido ao dono, pegamos nosso número de candidatura e partimos pra uma sala ampla. Nessa sala haviam várias mesas, cada uma com painéis atrás e o número do candidato. Pra quê?? Expormos nosso trabalho. Apenas expor, pra que cada professor pudesse analisar o material e dar nota.

No segundo dia, marcaram nossas entrevistas. Detalhe: avisaram que a entrevista seria em japonês. Fui mesmo assim. Meia hora pra cada candidato. Mesma sala ampla. Diferença?? Dessa vez ela estava lotada de professores (acho que todos os professores da universidade, ou quase). Trabalhos de um lado, professores do outro (sentados em meia lua) e no meio, uma cadeira vazia com uma mesinha em frente. Ou seja, no meio... você, ali.. exposto a tudo e a todos (ou expondo). Primeiro eles pedem que você se apresente (de acordo com a etiqueta japonesa, claro) e depois começam as perguntas, que por sinal surgem de todos os lados. Apesar de entender um pouco de japonês (que não é apenas o básico que se usa nas ruas pra perguntar quanto custa um pão ou onde fica a estação X), eu falo muito pouco. Motivo?? Parei de praticar enquanto fazia a minha pesquisa, porque era tudo em inglês e eu não sabia se ficaria no Japão mesmo (não que eu tenha qualquer certeza hoje, mas é mais provável ao menos). Pedi então pra responder em inglês e, aos poucos, eles foram me perguntando em inglês também. Que por sinal foi um grande alívio: agora sei que eles sabem falar inglês (tô menos ferrada).

As perguntas foram as mais diversas possíveis: "Por que você escolheu a Universidade de Design de Kobe?" "Como foi seu curso de graduação no Brasil?" "Fale sobre seu projeto de pesquisa." "O que você pretende fazer depois que terminar o mestrado?" "Por favor, apresente-nos alguns de seus trabalhos, falando um pouco sobre cada um deles." Enquanto eu apresentei eles fizeram várias perguntas sobre cada projeto. No final, meu professor me perguntou: você tem alguma pergunta pra fazer pra gente? (adorei isso, mas confesso que não estava preparada). Falei: "O que vocês esperam dos seus alunos?? Que eles criem novas formas de pensar e de solucionar problemas, ou que sigam uma linha mais rígida?? (algo assim). Ficaram com a primeira opção.. thank God! =)

Pela primeira vez vi professores leves, descontraídos, sorrindo... não sei se maquiavelicamente por estarem se deliciando com nossa angústia. Mas... não faz muita diferença; gostei de vê-los assim. Saí de lá com um sorriso enorme no rosto e com a sensação de dever cumprido. Fiz TUDO o que pude, dei o melhor de mim... agora era com eles. Passar ou não passar se tornou um mero detalhe diante da certeza de que encontraria meu canto, meu rumo... e que fiz o que antes me seria impossível.

O resultado saiu 5 depois depois: aprovada.

Comments (3)

On March 30, 2010 at 8:31 AM , Thiers said...

Tem duas Nanas ai é? Pode me enviar uma delas por correio? Aceito Sedex a Cobrar :D

Te amo, coisa saudosa :***

 
On March 30, 2010 at 6:15 PM , à procura de si mesmo said...

Oi meu amor, a cada desafio um novo aprendizado e vc sempre vencendo. Fiquei feliz demais. Desejo alegria e felicidades.

 
On April 6, 2010 at 4:04 PM , Rafael Efrem said...

minha nossa senhora. tremi só de me imaginar em frente aos milhares de professores! parece tribunal medieval! =S

mas tu és PHoda! xD