[Aviso: este não é um post feliz.]















[Na foto acima, que não é de minha autoria, vocês podem ver Panmunjom e a linha de concreto que divide os dois países, com soldados da Coréia do Norte à frente e da Coréia do Sul ao fundo.]

Começando pelo começo... DMZ, que significa Zona Desmilitarizada, é uma área pré-determinada onde é proibida qualquer atividade militar. A DMZ da Coréia tem 238 km de comprimento e 4km de largura (sendo 2km pro norte da fronteira e 2km pro sul), e é atualmente a única DMZ existente no mundo. A guerra da Coréia durou cerca de 3 anos, matou mais de 3 milhões de pessoas e dividiu o país no Norte comunista (influenciado pela ex-União Soviética) e no Sul capitalista (influenciado pelos EUA).

O "passeio" ao DMZ foi marcado por sensações tão fortes que me mantive calada a maior parte do tempo. Um silêncio de respeito ao lugar, a quem o guarda, aos que já morreram ali... à esperança de um dia esse lugar não mais existir. Um silêncio de assombro, de espanto, imensidão... e de entendimento pela história do conflito por trás da fronteira mais armada do mundo. O guia explicou muita coisa sobre a Coréia do Norte, seus ataques à Coréia do Sul e tentativas de invasão (foram descobertos mais de 4 túneis em direção a Seoul, desde que o DMZ foi delimitado) e a impressão que se tem é que ele tá mentindo ou exagerando, por ser Sul-Coreano. Mais tarde descobri que é muito pior do que ele estava relatando.


---

Apesar da Coréia do Norte declarar oficialmente ser uma república socialista, encontra-se de fato sob o governo ditatorial stalinista e comunista da família Kim. Após a morte do fundador da Coréia do Norte Kim II-Song, que foi declarado o eterno presidente do país, quem governa é o chefe de estado Kim Jon-Il.

As prisões existentes no país são palco de torturas e tratamento desumano (muitos morrem de fome), estupros, abortos forçados, experimentações médicas, assassinato e a execução de prisioneiros (e crianças, espancadas nas prisões) que tentam fugir do país. Em caso de tentativa de fuga, não apenas o indivíduo é preso (e condenado à prisão perpétua), como também seus pais, filhos, irmãos e (em alguns casos) avós. Os Campos de Concentração (sim, eles existem na Coréia do Norte) possuem aproximadamente 200mil prisioneiros (políticos, em prisão perpétua, e os de sentença longa, que raramente são libertados). Os prisioneiros são obrigados ao trabalho escravo em minas e na agricultura, sendo espancados ou torturados em caso de lentidão ou desobediência. Caso roubem comida ou tentem fugir, são sumariamente e publicamente executados. As crianças nascidas nos campos, permanecem nos campos e são obrigadas a trabalhar após a escola (onde aprendem a ler, escrever e trabalhar) até as 9 da noite, podendo visitar os pais uma ou duas vezes por ano, caso sejam excelentes no trabalho. Existe uma classe na Coréia do Norte, chamada "classe-hostil", composta por parentes das famílias que de alguma forma ajudaram a Coréia do Sul durante a guerra da Coréia; estes, estão condenados a punições (prisão) por 3 gerações.

Algumas organizações de luta pelos direitos humanos, como a Anistia Internacional, acusam a Coréia do Norte de ter um dos mais terríveis direitos humanos do mundo e dizem que os norte-coreanos são um dos povos mais brutalizados do mundo. Os norte-noreanos não possuem a liberdade de expressão; os que forem pegos falando mal do governo são aprisionados, assim como adultos com disabilidades. Crianças nascidas com qualquer deformidade são executadas e as que nascem com problemas mentais, como autismo, são perseguidas. Uma porcentagem das meninas (a partir dos 14 anos) são enviadas pelo governo pra trabalharem como prostitutas e casarem-se com soldados aos 25 anos de idade. Os cristãos são perseguidos oficialmente (a bíbila é estritamente proibida) e enviados aos campos de concentração. Existem alguns canais de rádio, jornais e dois canais de televisão (controlados pelo governo), nenhuma internet (apenas intranet), e as pessoas que tentam receber canais internacionais são punidas pelo código draconiano. As execuções de desertores ou condenados, acontecem em estádios e praças públicas.

Os cidadões mais leais, saudáveis e politicamente confiáveis moram na capital, Pyongyang. Os demais são expatriados da cidade e vivem em outros locais do país. Os norte-coreanos são todos obrigados a servir o exército, a partir dos 15 anos de idade, sob pena de prisão. As mulheres servem por 7 anos e os homens por, pelo menos, 10 anos. Apenas os políticos condecorados possuem o direito de ter um veículo e acesso a combustível; a população utiliza a bicicleta como meio de transporte e é obrigada a seguir um código de vestimenta. Educação, seguro saúde, moradia e pacote-alimentação são providos gratuitamente pelo governo, estando atualmente extremamente restritos (principalmente pela campanha do "Militares primeiro"), o que vem proporcionando um aumento considerável de doenças e desnutrição entre a população.

[Texto escrito por mim, a partir de diversas fontes sobre a Coréia do Norte]

---

Deixei o DMZ com a sensação de ter visto uma prisão de segurança máxima sem ter estado de fato dentro dela. Não há carros, pessoas, cidades... é uma fronteira enorme e vazia... povoada de soldados. O cessar fogo foi acordado entre os dois países em 1953, mas o tratado de paz jamais foi assinado. A guerra continua...

...silenciosa como o DMZ.


* Fiz um ensaio fotográfico. É a tradução em imagens do que senti...

Comments (1)

On December 27, 2010 at 6:57 AM , Diogo Miranda said...

...Completamente sem palavras. Tanta força investida em fazer tanta coisa ruim...
Tanto esforço emocional. Tanta determinação.

It takes courage to question what you think you know. For many, that doesn't cost a thing. In North Korea, that may cost your life...