Assim que cheguei em Osaka dei uma voltinha no centro, pra tentar achar uns presentes de Natal, mas num tive muito sucesso não (só tem coisa fashion no centro da cidade e eu queria umas coisas mais tradicionais). Liguei pra Adrianna, já que ia encontrá-la mais tarde num restaurante indiano, junto com Liv, Kuba e o amigo polonês dele (que até agora não descobri o nome). Fui a Senri-Chuo (uma estação importante na linha de metrô), pra pegar o ônibus. Quando eu olho pro ponto.. um ônubis parado lá e um estrangeiro correndo. Fiz o quê?? Corri atrás, né?? Aí dentro do ônibus liguei pra Dri de novo, perguntando:
- Qual o número do ônibus que eu tenho que pegar??
- 56 ou 59.
- Tá.
- Estamos na parada no caminho lhe esperando..
- Certo.
Desliguei e pensei. "Fudeu, tô no ônibus errado." Pedi parada, nada do caba parar o busu. Pedi parada de novo, nada do busu parar. Pedi mais uma vez. Nessa hora um japonês olhou pra mim com uma cara tão feia que deu pra perceber que tinha algo errado. Vi uma placa na rua dizendo Kita-Senri (uma estação no caminho pro lugar que eu tava indo). Ao menos no caminho certo eu tava... Aí o ônibus parou, né?? E nada da porta abrir. Aí eu pro motorista:
- Eu quero descer..
- Num pode descer aqui não.
- Onegai shimasu!! Onegai shimasu!!!! (por favor!! por favor!!)
Ele abriu a porta. Ahahahha... Desci. Fui pra parada do ônibus certo. Peguei o ônibus. Aí tô eu lá... olhando pela janela... tentando vê-los no ponto, quando depois de um tempão o ônibus vira prum lado estranho. Perguntei pro motorista:
- Qual o número desse ônibus??
- Num sei.
- Ele tá indo pra universidade?
- Não.
(fudeu)
(de novo)
A essa hora meu celular tinha descarregado já, claro. Quando o motorista parou eu pedi pra descer e olhar o número do ônibus. Era 55. Putz!! Pense que minha cabeça tava uma merda nesse dia, viu!??! AIUhiauhaia... Foi quando ele me disse pra descer num ponto lá e pegar o ônubis certo. Desci. Quando vi o horário do próximo ônibus somente às 20h, pensei: pronto, é hoje que num janto nem encontro ninguém.
Fiz o quê??? Puxei pra junto o primeiro japonês que me passou e pedi pra usar o celular dele. Liguei pra Adrianna e ela me disse que tava muito frio, então eles resolveram ir pro restaurante. Ela tinha me enviado uma mensagem, mas num sabia que meu celular tinha descarregado (e celular aqui quando descarrega, é morte sem retorno). Mas advinha?? Eu desci EXATAMENTE na parada do restaurante!!! AIUhaiuhaiuaia...
E o resto da noite foi maravilhosa.. comemos uma comida deliciosa no restaurante indiano, fomos conversando as três no caminho de volta pra casa... e passei a madrugada falando potoca com Dri na casa dela. ^^
PS: o amigo de Kuba veio pro Japão com o dinheiro que ganhou naquele programa "Who wants to be a millionaire". AIUHAIhaiaa...
Sexta-feira passada fui a Nagoya, fazer a autorização de Luquinhas pra ele poder embarcar sozinho e entrar no Japão sem problemas. Como nunca fui a Nagoya e é longe que só, antes de ir pedi umas informações a um amigo meu japonês, chamado Tatsuro. E segui à risca o caminho dele, né?? Acordei às 4:30 da manhã, saí de casa às 5h, peguei o primeiro ônibus às 5:28h e o trem das 6h. Mas rapaz.... ao todo... eu troquei de trem (baldiação) 7 vezes!!! 7 VEZES!!!! Advinha a hora que cheguei!! Onze e quarenta e cinco da manhã. ¬¬ Demorei 6h e meia pra chegar lá!!! Mortinha já, né??
A onda foi em uma das estações, na primeira troca de companhia de trem, quando fui fazer o "fare ajustment" (pagar a diferença quando você compra um ticket de valor menor que o total feito). Abri a carteira... e... cadê o dinheiro??? Ahahahahha... num tinha NADAAAAAAAAAAA!!! Nem uma moeda pra consolar. Esqueci o dinheiro na minha outra carteira (qe desisti de levar). Aí lá fui eu explicar pro caba que tava sem dinheiro... e pedi orientação pro caixa eletrônico. Ele me deixou ir lá pegar dindin e voltar pra pagar... ahahah.. mas pense num susto!
A viagem é linda!!! Não apenas pelo caminho em si, mas pelos trens. Eu só num tirei foto porque o final de semana ia ser longo e fiquei com medo da bateria da câmera acabar. Mas... prometo fazer um álbum só de trens japoneses. Tem cada trem FUDEROSO!!! O trem bala ( Shinkansen) é bonitin... mas tem outros trens mais majestosos, imponentes... e elegantes!!
Foi bem tranquilo no consulado, fiz o documento (que recebi pelos correios ontem e já enviei ao Brasil), tomei um suco de açaí (ai delícia!!) e fui caminhando até a estação principal pra conhecer um pouco a cidade. E fui pra Osaka!! Só que dessa vez... num fiz o caminho de corno naum... perguntei como ia direto pra lá. Comprei meu ticket num trem com assento reservado, expresso pra Namba (estação no centro de Osaka). Super confortável, cadeira reclinável... levou apenas 2h pra chegar... e foi O MESMO PREÇOOOOOOO da ida (pelo caminho de corno)!!!! AIUAHIUAHiuahiuaiuhaia...
FOTOS AQUI!!!
PS: Olha que interessante um estacionamento de carro e de bicicleta em Nagoya!!
Como muitas das minhas cartas (e presentes, pra piorar!) não chegaram aos destinatários no Brasil (nos outros países chega certinho), resolvi só enviar carta registrada agora. Quem for me escrever faz o mesmo, tá?? Vamo ver se resolve...
É mais caro um teco, mas vai valer a pena! =)
Orguiu jana = mode on
Parabéns!!!!
(não que ele vá ler isso, mas que fique a energia boa!) Leia mais um teco...
Representante legítimo da Santíssima Trindade. Assim como dos três atributos de Deus de onisciência, onipotência e onipresença. Primo. Um dos tidos de Fibonacci e Lucas (desse nunca ouvi falar). O número três representou pra mim, o inferno astral. Porque entre eu, tu e ele... presente, passado e futuro... pensar, falar e agir... reino animal, vegetal e mineral... e todas as outras premissas que cercam o mito, o que se passou comigo nos TRÊS últimos meses foi digno de um comercial de mal gosto japonês.
Como num vou entrar em detalhes dos pontos que fizeram meu triângulo virar um círculo sem começo, fim ou horizonte certo, resumirei meus equívocos à inocência dos robôs. Desculpem, mas enquanto as árvores colocam uma nova plumagem pro inverno, mudando suas cores e cantos, o que vejo nas ruas são seres humanos apáticos. Essa é a pintura que não desbota. Viciados em trabalho, os japoneses estão, literalmente, se matando, enquanto suas barbies (conhecidas como esposas) cuidam dos filhos que só verão seus pais, com sorte, nos finais de semana. Filhos estes que, confinados aos limites do oceano Pacífico e cercados por máquinas falantes, serão cada vez mais privados de contato humano.
A fotografia dos samurais e gueixas fica pros elucidados membros de uma língua formal e submissa, hierarquica e severa, curta e silenciosa. O hoje é uma mistura amarga entre o futurismo alienado e vazio do comportamento ocidental, misturado à falta de sensibilidade de quem já se se acostumou a não mostrar emoções. Fechados em si mesmos e para si mesmos, o espelho tornou-se o livro de cabeceira, enquanto o divã, vazio, espera por qualquer traço de verdade que escape do discurso cotidiano. Quando escapa. Quando há verdade. E enquanto o espelho não quebra...
Saravá!
Coisa mais fofa desse mundo cantandu!!! Ai ai... lembrança da minha infância esses dias... =)
fala baixinho
com carinho
deita com ele nas horas de dormir
enrola os cachinhos
beija-lhe a testa e diz:
amo você.
Quem sabe num tímido instante de lúcidez tu descubras que és sim a princesa do castelo de areia. Esculpido em dedos frágeis e pequeninos, de menina, onde as estrelas te parecem tão próximas, o mar tão sem fim, a areia tão macia... E brinques de rainha, com teus príncipes que te enchem de euforia ao contar que o horizonte não termina ali. E te gargalham sabores de véspera, campos verdes e distantes, aventuras ácidas e errantes... e se vão. Sem saber que o castelo será destruído pela bruma...
...ainda branca, ainda turva, ainda... o que te leva à beira d'água em dias de sol.
jana.
[texto feito pra Raphaella]
Ao som de Yann Tiersen, em 8mm. Leia mais um teco...
Enquanto o lápis empoeirado aguarda nossas mãos mornas na gaveta há muito já esquecido, sentamos no computador e procuramos alguma mensagem de fim de ano pra enviar aos conhecidos, familiares, amigos íntimos. Talvez consigamos de fato achar algo escrito por outrem que se encaixe tão perfeitamente no que gostaríamos de escrever, que parece ter saído de nós mesmos. Então copiamos e enviamos, até bem intencionados, numa atitude tão repetitiva, feita por tantos nessa época do ano. Existe época pra fazer isso??Como se não bastasse a atitude mecânica de fazê-lo "porque é natal", ainda esquecemos de colocar qualquer vestígio nosso, qualquer rabisco de nossa própria autoria... esquecemos um outro ser humano lá do outro lado vai receber... esquecemos de interagir com ele.. de dizer "oi, tudo bom?", "adoro essa época de natal" ou até mesmo um "como vai a família?". Deixamos pra trás qualquer traço de unicidade, de personalidade... os destinatários viram uma massa única.
Ao enviar a mesma mensagem pra (quase) toda a nossa lista de contatos, esquecemos de ser pessoais... próximos... calorosos... Mas não temos tempo de escrever pra meio mundo de gente. Quem tem tempo hoje em dia? E finalmente atropelamos nossos momentos com quem amamos e deixamos de dar às pessoas o que de fato elas mais querem: um pouco da nossa atenção.. um pouco do nosso tempo. Porque é mais fácil enviar uma mensagem pronta do que escrever meia dúzia de palavras, assim como é mais fácil comprar "uma lembrancinha" na esquina do que procurar algo que signifique uma lembrança de nós mesmos pro outro ou algo que pareça tanto com o outro que faça-o pensar "ela me conhece", "ela lembrou de mim, de mim". Porque também queremos que conheçam nossos gostos, que saibam quem somos de fato.. mesmo que secretamente.
Se eu pudesse pedir algo nesse natal, seria um instante de lucidez.. onde pudéssemos nos desligar da tomada e das atitudes automáticas, e repensar quem somos.. o que estamos fazendo com nossas vidas.. pra onde queremos ir... quem queremos que esteja conosco... e finalmente, quanto tempo estamos dedicando a nós mesmos e às relações que estamos estabelecendo com as pessoas que nos cercam. Que façamos de cada momento, uma oportunidade de dizer o quanto elas nos são importantes... Que nos façamos diferentes, nos aprimorando a cada instante.. E que sejamos mais e mais felizes... cada vez mais felizes!!!
jana.
[escrito em dezembro de 2008]
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Quarta-feira. 13:00h. Dei entrada no hospital. Tiraram minha pressão. Andei até o andar cirúrgico. Retirei todos os meus acessórios. Coloquei a bata. E fui caminhando até a sala de operação. Como tenho assistido Grey's Anatomy, juro que me senti num dos episódios. As portas abrem com um botão que fica quase nonível do chão e é aberto com o pé.
Colocaram os sensores no meu corpo:respiração, pressão e batimento cardíaco. A primeira cidadã tentou duas vezes colocar o gelcro na minha veia, mas falhou (depois de remexer lá dentro). A outra veio, achou minha veia e enfiou o treco tão rápido que num deu nem tempo de doer direito. Aí fiquei eu lá pensando: seriam elas interns ou residents?? (sei o nome em português naum)... viagem de Grey's. AIUhaiua...
Cobriram meu corpo com um lençol pra me aquecer. Deram anestesia local. O restante foi o médico falando cada passo dado, explicando tudo que estava fazendo e me perguntando sempre se estava doendo em algum lugar. Ele foi bem atencioso e eu senti MUITA segurança no hospital e nos procedimentos feitos. "Finalmente um lugar decente!!"
Durante a operação eu me concentrei no meu batimento cardíaco, pra manter a calma e ficar tranquila. Ao término, tiraram minha pressão novamente. Ele prescreveu antibiótico oral e local (vou começar a trocar o curativo hoje), além de dois remédios pra proteger o estômago e o intestino. Semana que vem retiram os pontos e sai o resultado da patologia (que vai examinar o troço que tava dentro do meu braço). Agora é descançar e cuidar bem do sono e da alimentação. Não tenho sentido muita dor.
Tô bem!!
PS: o exame de sangue e de tempo de coagulação deram normais... e o resultado da patologia também (nada maligno pra se preocupar).

