Dedicado a Mauro Alex
O estado bruto da matéria vai recebendo as pancadas da sobrevivência, vai tendo suas quinas lascadas pelo enfrentamento, vai vendo suas beiras arranhadas pelos riscos, suas retas arrancadas pelo desprendimento...suas curvas abauladas, sua cor desbotada.
Caminha por entre desconhecidas paisagens, de verbos incompreendidos, máquinas sem vida, solidão esquecida... caminha na velocidade única do trem que já partiu, na ansiedade permanente da estação que se aproxima, na saudade dos pedaços deixados na noite de ontem... nos espaços esquecidos de si mesmo, guardados pra próxima alvorada...
Ultrapassa as imensas labaredas de história viva a queimar-lhe o cristalino... resiste ao vento frio de pluralidade cultural a ferir-lhe os pré conceitos... abandona suas antigas cascas de conformidade e engano... sobrevive às mentiras disfarçadas de verdade, aos planos tracejados de sonho, à própria sorte...
... porque um dia, até mesmo os mais belos estados brutos da matéria, precisam ser lapidados.
meninaJANA
24.01.07
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