
"What is important is not the destination,
but the act of getting there.
The Path itself is the goal."
O nome da ilha de Shikoku vem de "quatro províncias": Sanuki, Awa, Tosa e Iyo; é uma ilha montanhosa e local de antiga peregrinação em honra de Kukai, que ainda hoje se mantém. O caminho de Shikoku é composto por 88 templos e tem aproximadamente 1400 quilômetros de extensão. Segundo uma famosa lenda...
... a ilha de Shikoku, era governada por um senhor rico e poderoso chamado Emon Saburo. Ele tinha os cofres cheios, mas um coração frio, e mal sabia o que era compaixão. As pessoas que viviam em suas terras só podiam esperar por uma coisa: ele iria explorá-las cada vez mais.
Certo dia um monge chegou no portão da mansão e solicitou que o poderoso Saburo colocasse um pouco de comida em sua tigela. Imediatamente o monge foi mandado embora. No dia seguinte, a cena se repetiu e Saburo se irritou: colocou fezes humanas na tigela do monge e dispensou-o novamente. Isso se repetiu por dias até que no oitavo dia, Saburo, furioso, pegou o seu bastão e golpeou a tigela do monge, a qual partiu-se em 8 pedaços. o monge se chamava Kobo Daishi (professor/santo que difunde os ensinamentos de buda) e viveu na ilha por muito tempo.
O monge não voltou após o último incidente com Saburo, cujo filho, misteriosamente, morreu no dia seguinte. Enquanto ainda a família velava o corpo do primogênito, o segundo filho também falece e assim, morreram os 8 filhos do governador. Ao rejeitar a chance de fazer o bem ao monge pedinte, Saburo deu início à punição por todas as suas malfeitorias: ele não deixaria herdeiros e sua família acabaria ali.
Saburo, arrasado e desesperado, saiu à procura do monge para implorar pelo seu perdão. Caminhou por anos e quando estava debilitado fisicamente, decidiu fazer o caminho inverso. Ao invés de correr atrás dele, iria ao encontro do monge. Em seus últimos dias, quando já estava quase morrendo, Saburo encontrou Daishi. O então frágil governador foi perdoado pelo monge e ganhou o direito a um último pedido. Saburo pediu para que ele nascesse novamente como governador de sua província para que ele pudesse ajudar as pessoas e recompensar toda a sua crueldade praticada na vida presente. O monge pegou uma pequena pedra, escreveu algo e colocou-a na palma da mão do governador.
Nove meses depois, o bebê do governador de Iyo-a nasceu, curiosamente com a mão fechada. Muitos médicos examinaram a criança e a medicaram, mas nada acontecia, até que um certo dia solicitaram a ajuda de um padre. Através de uma oração a criança abriu a mão lentamente e surpreendeu a todos. O bebê segurava uma pedra com a seguinte inscrição: “Reencarnação de Emon Saburo”. (essa pedra pode ser vista no templo nº51, chamado Ishite-ji)
A morte é muito presente tanto na lenda quanto no próprio caminho de Shikoku. Os peregrinos vestem roupas brancas para percorrer o caminho (branco é a cor do luto no oriente). Até o nome Shikoku pode ser interpretado como “terra dos mortos”. Mas universalmente, a morte seja ela espiritual ou física, representa o caminho para uma nova vida. Aqueles que percorrem o caminho esperam completar a jornada e sair de Shikoku renascidos, com a vida renovada, através de disciplina espiritual e coração arrependido, assim como aconteceu com o último pedido de Emon Saburo.
O sagrado número oito, para os budistas, representa solidez, a finalização de um ciclo, os oito cantos de um cubo. Alguns cristãos consideram este número como símbolo da harmonia. No tarot é significado de força, movimento, mudança e nova situação.
[fonte: nippocultura]
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Tuesday, March 17, 2009 |
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